terça-feira, 18 de setembro de 2012

Casa Flintstones - Flintstone Home

Flintstone Home Inspires Contemporary Residence in Malibu, USA

Flintstones home Malibu 2 Flintstone Home Inspires Contemporary Residence in Malibu, USA
With witty situations and original characters, the Flintstones became one of the most famous cartoons of all time. But who would have thought that its rocky homes could ever compete with the modern, minimalist residences that are so sought after today? Owned by American game-host Dick Clark and currently up for sale here, this one-of-a-kind home in Malibu, USA, not only comes with a great theme, but also with extensive views of the Pacific Ocean, Boney Mountains and Los Angeles. Seemed to have sprung out from the Stone Age town of Bedrock, the unusual crib displays impressive organic walls, defined by irregular shapes, furniture seamlessly blending with the cave-like interiors and glass windows with stunning vistas. Strangely enough, the overall feeling of this Flintstones inspired project is that of a cozy and original home, difficult not to make an impression to anyone visiting it.
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terça-feira, 21 de agosto de 2012

Casas com Alma


Muitas vezes pensamos que para ter uma casa agradável é preciso gastar muito com materiais e fazer um grande esforço. Nem sempre o luxo e o conforto de uma casa têm relação com o tamanho e o tipo de materiais.

O verdadeiro luxo consiste em viver numa casa que se adapte perfeitamente aos hábitos e modo de vida de quem a habite.

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domingo, 19 de agosto de 2012

Casas em Taipa - Reabilitar de forma sustentável


Construir edifícios eficientes é importante. Mas mais importante é reabilitar os que já existem, melhorando a sua eficiência. Esta é uma das melhores formas de promover o desenvolvimento sus
tentável no mercado habitacional, reduzindo a pegada ecológica do país.

Reabilitar e transformar edifícios velhos em espaços rejuvesnecidos é pois o caminho a seguir.

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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O uso da taipa nas igrejas e outras construções



A construção em terra encontra-se em todo o mundo. Onde quer que falte pedra ou madeira, a solução é a utilização da terra.
E, ao contrário, do que se pode pensar, olhando à modéstia ou relativa modéstia da realidade portuguesa, existem grandes edifícios e cidades inteiras construídas em terra.
Uma ideia também aventada regularmente é a de que a construção em terra foi introduzida na Península Ibérica durante a ocupação islâmica, que aqui teria reproduzido este processo construtivo à semelhança da realidade árabe e berbere. Trata-se de mais um lugar-comum sem qualquer consistência histórica.
Naturalmente o período islâmico na Península continuou uma tradição muito mais antiga no mundo mediterrânico, embora os construtores árabes pudessem ter melhorado algumas técnicas, como no caso da taipa militar, em que à terra adicionavam cal, edificando castelos que ainda hoje sobrevivem.
A construção em terra remontará a antigas épocas da pré e da proto-história, quando o homem necessitou de abrigos cada vez mais elaborados e eficazes, em que utilizavam os materiais de que dispunham na natureza. A arqueologia tem confirmado esta afirmação.
Em Portugal, o Sul é por excelência a área da utilização da terra como material de construção, embora em todo o País se possa encontrar essa solução construtiva. Evidentemente, no Sul também existe construção em pedra, mesmo em simples moradias e até em construções de mais desqualificada função como estábulos e armazéns.
A alvenaria de pedra e cal e de pedra e barro é portanto também frequente. A pedra é geralmente o xisto, a rocha mais abundante no sudoeste português, e a argamassa o barro, na falta de cal. Efectivamente, não existem aqui terrenos calcários e a cal tem de vir de fora e fica, portanto, cara. Um exemplo da dificuldade em obter esse produto: em 1687, uma carreta foi de Alvalade buscar uma carrada de cal a Milfontes: a cal custou cinco tostões, quantia que naturalmente incluía o frete marítimo; o transporte até Alvalade ficou em 12 tostões. Total: 17 tostões (1700 réis). Mais caro o transporte que o produto.
Por isso, a ideia de um Alentejo, todo ele, branquejando de cal na planície não convém a todo o Alentejo. Lugares havia, sobretudo em zonas de maiores influências de uma tradição mais serrana, com taipas e alvenarias de xisto sem reboco de cal e areia, em que muitas das casas, principalmente as que eram construídas de pedra e barro, ofereciam um aspecto escuro, que justificava topónimos como Casa Branca que significavam nessas áreas a escassa presença de casas brancas.
A construção em terra é realizada com três técnicas: a taipa, o adobe e o tabique. Falaremos apenas na primeira, como nos foi proposto.
Basicamente, a construção em taipa baseia-se no enchimento e compactamento com terra previamente molhada de um espaço entre taipais, como uma cofragem, que em camadas sucessivas, e desencontradas para obter travamento, iam edificando as paredes. Em geral, os caboucos eram de pedra até cerca de meio metro para evitar a acção da humidade ascendente. Com efeito, um dos pontos fracos da taipa é a humidade e a falta de protecção de um reboco, que se fazia de uma argamassa de cal e areia. Por isso, a taipa é uma solução que também tem uma envolvente climática, uma vez que é mais apropriada para áreas menos pluviosas.
Para dar mais consistência aos edifícios, construíam-se por vezes contrafortes, os moirões, que impediam desequilíbrios das paredes. Os moirões eram também usados nas edificações de pedra.  
Por outro lado, a qualidade da taipa dependia também da matéria-prima: terra mais ou menos argilosa, mistura maior ou menor de saibro, etc. Depois também dependia dos taipeiros: dizia-se popularmente que devia ser “transportada por um coxo e batida por um louco”, significando a lentidão que era necessária para consolidação da taipa e a energia exigida a quem tinha o trabalho de usar o pilão para compactar bem a terra.
No antigo concelho de Alvalade, há notícias documentais de construção em taipa. As visitações quinhentistas da Ordem de Santiago referem-na, embora, em geral, as igrejas, especialmente as matrizes, o principal objecto dessas inspecções, fossem, como edifícios de prestígio, em alvenaria de pedra e cal ou pedra e barro, até porque os mestres seriam muitas vezes de fora.
É interessante a menção à técnica da taipa em igrejas como a de Alvalade, vila que viu a sua matriz reedificada em tempo de D. Manuel, decerto com a intervenção do comendador da Ordem de Santiago. Os visitadores desta última, em 1510, ao descreverem a igreja matriz, diziam que “a qual capela (mor) é de abóbada, e todas as paredes são de tijolo e cal [… ] O arco principal da dita capela é todo de tijolo e cal […] a sacristia é de abóbada e as paredes são de taipa com formigão de tijolo e cal […] O corpo da igreja é de uma só nave com três arcos de tijolo, sobre os quais está madeirada e olivelada de madeira de castanho e pinho, e é mui bem telhada e cintada de cal, e as paredes são de taipa com alicerces de pedra e cal e formigões de tijolo com face de cal de dentro e de fora”.
Apesar da referência à taipa, estas passagens precisam de ser esclarecidas. Na verdade o termo formigão significa um tipo de construção semelhante à taipa, mas em que a terra é substituída por cal hidráulica, fazendo uma argamassa de grande consistência e durabilidade. Já os romanos utilizaram esta técnica para obterem massas tão duras como o cimento e mais duráveis (o opus signinum).
No caso concreto, parece, pela redacção do visitador, que o termo formigão se distingue da taipa. Provavelmente, o que o visitador queria dizer era que a taipa de formigão tinha mistura de cal e tijolo, ou cal e cerâmica, como vemos por exemplo no opus signinum romano da fase tardia. 
Estamos perante uma matriz, em que foram aplicados meios financeiros de algum vulto. Daí a presença da cal bem como de cantarias. Não é referido o portal principal, de cantaria lavrada, manuelino, que hoje podemos apreciar, mas trata-se estilisticamente de um portal daquela época. As abóbadas da capela-mor e da sacristia também revelam os cuidados em dar à igreja uma maior dignidade.
Segundo o mesmo documento, quase todos os restantes templos do termo de Alvalade, a maior parte modestas ermidas, eram edificados em terra. Sem o peso de abóbadas, a taipa era a melhor e mais barata solução para as paredes.
O hospital do Espírito Santo tinha três casas, uma dianteira e duas câmaras para os pobres; as paredes, de taipa, e a cobertura de telha vã.  
A ermida de S. Pedro, uma simples casa sem distinção de ousia e corpo, era também de taipa, coberta de telha vã; o visitador acrescentava que não tinha portas, mas somente “uma entrada que lhe deixaram quando fizeram as taipas”. Em 1533, a ermida que havia caído foi reconstruída, com paredes de taipa e telha vã. De taipa era também o altar.
A ermida de S. Roque, por sua vez, não tinha mais que a capela, “olivelada”, isto é forrada, de castanho, sendo as paredes e o altar de taipa. No entanto, anos depois os visitadores escreviam que “as paredes são de taipa de formigão”, com os cunhais e o portal de tijolo de alvenaria, decerto resultado de obras recentes que a beneficiaram em muito.
A ermida de S. Sebastião era então uma casa muito velha, com altar de alvenaria. Mas em 1533, a capela já tinha abóbada de nervura cruzada, em pedraria, e as paredes de “taipa com seu formigão” No entanto, o corpo não estava erguido além dos alicerces de pedra e barro, certamente esperando a conclusão das paredes em taipa.
Quanto à ermida de Santa Maria do Roxo, templo de mais nomeada, oferecia as duas soluções construtivas: a capela-mor, abobadada com arcos de pedraria, em cuja chave central estava gravada a cruz de Santiago, era de alvenaria, de pedra de xisto certamente; o corpo da ermida era coberto de telha vã, e, sem abóbada que exigisse maior sustentação, as paredes eram de taipa. Note-se que, tal como na matriz, também aqui o portal era de pedraria, o que só por si mostra uma maior importância.
O uso da taipa que no princípio do século XVI era tão usada em edifícios religiosos, não deixaria de o ser, por maioria de razões, nas casas de habitação. A vila de Alvalade seria nessa época uma vila de taipa, já nas casas, já nos muros de adros de igrejas, já nas cercas divisórias e protectoras das pequenas courelas e vinhas, enfim em todo o tipo de construções. Mais tarde, vemo-la, por exemplo, nos moinhos de vento.
Em 1758, depois do terramoto do 1.º de Novembro de 1755, escrevia o prior: A terra padeceo de ruina no dia do terramoto de mil setecentos e cinquenta e cinco principalmente nas igrejas de que as ermidas cairão demolidas e só a igreja matriz reparada a requerimento do pároco na mesa da consciência aonde pertence, a Misericórdia e Espirito Santo pello provedor da mesma (…) junto a esta villa tem duas ermidas, a de S.Pedro já há muitos annos demolida, outra a de S. Sebastião totalmente arruinada no dia do terramoto”. 
Efectivamente outros dos problemas da construção em taipa era a sua fraca resistência aos tremores de terra. O pároco de Milfontes atribuía a intervenção divina o facto de nenhuma das casas da vila ter caído apesar de serem de taipa.
De certo modo podemos dizer que em Alvalade, como em toda esta região, a taipa constituiu uma arquitectura popular, no duplo sentido da sua utilização pelas classes menos abastadas e da sua extraordinária difusão. No entanto, esta afirmação não completa o papel da taipa, usada em Alvalade em edifícios sobradados, alguns de notável dimensão e qualidade arquitectónica. O próprio edifício que a tradição diz ser casa de morada de juízes e escrivães, também de dois pisos, é de taipa.
No campo, muitos dos muros que rodeavam a pequena propriedade eram de taipa. Nos arredores das povoações e em zonas onde surgia a repartição da propriedade, caracterizada pela policultura e tratamento intensivo da terra, o hábito de cercar essas pequenas parcelas divulgou-se sobremaneira. Tratava-se de proteger, dos animais e das pessoas, as valiosas culturas (vinhas, hortícolas, olivais) existentes nessas parcelas, para o efeito “vedadas e coimeiras”. Em Colos, por exemplo, as próprias posturas municipais contemplavam a questão do “tapejo” de vinhas, hortas e, até, ferragiais. Estas taipas, de que ainda existem vestígios, marcavam a paisagem. Sobre cabouco de pedra, erguiam-se a cerca de um metro de altura. Muitas vezes, eram “bardadas”, isto é, encimadas por uma camada de mato, coberto de terra batida em ângulo; pranchas de cortiça substituíam por vezes o mato. Mato ou cortiça sobressaíam alguns centímetros para cada lado do muro, melhorando a protecção e dificultando a transposição por pessoas ou animais. Os viajantes estrangeiros reparavam nesses muros cobertos de cortiça e faziam-lhes menção nos seus livros de viagens. Parecem ter dado origem a certos topónimos com o elemento “taipa” (Vale das Taipas, por exemplo).
Naturalmente, a construção de casas e, onde os havia, de muros para cercas exigia extracção de terra. Quando esta se fazia em grande quantidade, a câmara era obrigada a regulamentar. Assim, em Colos, em 1709, uma postura proibia a extracção indiscriminada de terra em volta da vila, e reservava um local para o efeito. A respectiva coima era a dobrar quando o infractor fosse pedreiro ou servente.
A utilização do revestimento de cortiça em habitações e outros edifícios está bem testemunhada nesta região. Em 1517, a igreja de Milfontes tinha a sacristia forrada de cortiça, material que também era aplicado na do Cercal. Nesta, a nave, de paredes em pedra e barro, era “olivelada de cortiça toda pintada”, tal como o alpendre. Este material, não obstante as suas propriedades isolantes, seria considerado menos nobre do que a madeira de castanho, que revestia a capela-mor. Anos depois, em 1554, tanto a capela-mor como o corpo da igreja estavam emadeirados de castanho e encortiçados, possivelmente a madeira no tecto e a cortiça nas paredes. Note-se que se a cortiça era abundante no Cercal, o madeira de castanho também, pois no local havia um bom souto, que deixou sinal na toponímia.
Quando, em chuvosa noite de Janeiro de 1573, D. Sebastião passou em Colos, aqui pernoitou numas “casas térreas e pequenas”, certamente de taipa, com apenas dois compartimentos “habitáveis”, por serem forrados de cortiça. Região produtora de cortiça, o litoral alentejano usava este material, de que dispunha facilmente e em grande quantidade. Mas há notícias do seu uso noutras regiões. Por exemplo, no convento dos Capuchos em Sintra, cuja humidade foi comparada, por um viajante inglês, à do húmido convento do Cabo de São Vicente.
Encontramos uma outra curiosa utilização desta matéria-prima, no sítio de Baleizão, em Santo André. Aqui, podemos observar uma autêntica alvenaria de cortiça na empena do monte, com argamassa de terra e reboco de cal e areia. Portanto, a terra, a cortiça e a cal associadas.
Acrescente-se que certos materiais, como a cana, usados no forro de casas de habitação, poderão constituir solução construtiva mais recente. Pelo menos, não aparece referência na documentação consultada, o que, na realidade, não é comprovativo do seu não uso. De qualquer modo, eles inscrevem-se numa normal tendência de utilização de matéria-prima local. A propósito, ainda recordo, em Milfontes, uma casa (aliás, dita “cabana”), feita em junco, onde morava uma família.
A partir destes exemplos, carreados um pouco ao acaso, confirma-se que a utilização da terra na construção, através da técnica da taipa, teve forte presença na região. Ela era sobretudo usada em construções modestas, mas não deixava de o ser em edifícios mais prestigiosos como as igrejas. Também nestas, contudo, o seu uso ficou reservado a edificações mais singelas, parecendo clara a consciência das suas limitações quando se tratava de pedir às paredes maior resistência, como no caso das coberturas em abóbada. No entanto, como ainda podemos ver hoje, o uso da taipa não se terá reservado a edifícios de um só piso; em todo o caso, numa região em que predominavam largamente as pequenas construções térreas, o seu domínio foi notável, nalguns casos quase absoluto. De certo modo podemos dizer que aqui a taipa constituiu uma arquitectura popular, no duplo sentido da sua utilização pelas classes menos abastadas (embora não só) e da sua extraordinária difusão. Não é de esquecer igualmente a grande utilização da construção em taipa aplicada aos muros divisórios e protectores da pequena exploração agrícola na periferia de algumas povoações e noutros locais onde se desenvolveu a policultura e a repartição da propriedade. Frequentemente, a rede, mais ou menos densa, desses muros baixos, não rebocados, nem caiados, marcava a paisagem e indiciava o tipo de apropriação económica do espaço.  
Quanto ao revestimento de cortiça, não estando necessariamente associado à construção em terra, pareceu, contudo, interessante tratá-lo simultaneamente, uma vez que ambos surgem particularmente referenciados nas fontes e ambos constituem soluções construtivas baseadas em materiais locais. Nas duas circunstâncias referenciadas de utilização da construção em terra, a cortiça aparece utilizada em revestimento, num caso para melhorar a qualidade habitacional, e, no outro, como elemento de protecção e conservação. Isto, muito séculos antes da moderna utilização da cortiça e dos seus derivados. A potencialidade plástica de ambas as matérias-primas, as suas qualidades isolantes, portanto de protecção, a sua disponibilidade, a facilidade do seu uso, a ancestral relação com o homem e o consequente desenvolvimento de competências no seu aproveitamento estão na base do seu sucesso.                                                                                       
       
  António Martins Quaresma

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Português apresenta em Madrid projecto de 'casa girassol'


Manuel Lopes tem 40 anos e sonha com «o primeiro aldeamento vivo do mundo», em que várias casas de um bairro girem em sincronia como num campo de girassóis, de modo a recolher mais energia do que consomem.Para este aluno de mestrado na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP), o futuro passa também pela apresentação do projecto ‘Casas em Movimento’ na Solar Decathlon, a maior feira do mundo especializada em arquitectura sustentável, que em Setembro deste ano se realiza em Madrid (Espanha).
A maquete já está pronta e ilustra «o sistema mecânico que permite que a cobertura da casa, revestida a painéis fotovoltaicos, se comporte com um efeito de girassol», o que pode permitir produzir «cerca de duas vezes e meia mais electricidade do que precisa».
Manuel Lopes conta até com o apoio do vencedor do prémio Pritzker de 2011, Eduardo Souto de Moura, que assegurou que tinha entre mãos um projecto «à Souto de Moura» e que já garantiu a presença na Solar Decathlon.
A ideia começou por ser desenvolvida no âmbito do projecto LIDERA da Universidade do Porto, um programa de apoio a iniciativas multidisciplinares que fomentem a auto-aprendizagem.
Em entrevista à Lusa, Manuel contou que começou por «desenvolver uma solução que permitisse entender os painéis fotovoltaicos enquanto parte integrante da casa e não como mero apêndice que se colocasse em cima dela».
«Os movimentos da casa surgiram como solução para obter uma maior produção de energia», explicou, «sempre na perspectiva de conseguir um ganho térmico de forma a conseguir mais sombra durante o verão e permitindo que o sol incida mais na fachada durante o inverno», dando assim azo a um ganho térmico na ordem dos 60 a 80 por cento.
Além da plataforma giratória que movimenta toda a estrutura da casa, o projecto contempla uma pala, ou cobertura, revestida a painéis fotovoltaicos, que possui rotação própria e que «por si só já garante um ganho de 20% em produção de energia».
Manuel Lopes revelou ainda que «estes complementos não têm que existir em simultâneo», podendo ser adquiridos posteriormente e tirando partido da estrutura modular da casa, que pode até pagar a sua própria evolução com os ganhos energéticos que vai permitindo.
«Pode mesmo, ao longo do seu ciclo de vida, não efectuar qualquer movimento, porque a casa produz sempre muito mais energia do que utiliza, mesmo tendo em conta os consumos das movimentações mecânicas da cobertura ou de toda a estrutura», garantiu.
Manuel Lopes lidera a única equipa nacional representada na Solar Decathlon e o objetivo será também «mostrar os recursos do país, a partir de elementos como o próprio revestimento da casa, que é feito em cortiça».
A promoção nacional será fundamental na apresentação do projecto, até porque a organização «avalia desde a comunicação à gastronomia».
Por isso, vai levar um chef de cozinha para «mostrar como se come bem por cá» e quer ainda levar um grupo de fados, além de incorporar a cultura portuguesa no projecto ao utilizar a calçada portuguesa nos arranjos exteriores da maquete e do protótipo.
A ideia das ‘Casas em Movimento’ conta já com apoios de parceiros que vão da EDP à EFACEC ou a SONAE, uma ajuda «essencial» para a construção do protótipo, que deverá custar entre 250 mil e 300 mil euros.
O arquitecto sonha em projectar um destes aldeamentos vivos nas encostas do Douro, até porque acredita que com a industrialização e comercialização esse valor possa descer até metade, para ser depois compensado pela produção energética.
Em Madrid, a exibição do protótipo à escala real de uma das ‘Casas em Movimento’ deverá permitir que cerca de 200 mil visitantes conheçam não só a arquitectura, mas a cultura portuguesa.

Lusa/SOL

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Arquitectura genética

A Universidade do Sul da Califórnia (USC) construiu um pavilhão metálico que muda consoante as condições atmosféricas, um projecto que consiste em 14 mil peças de um material biometálico chamado termobiometal e que podemos encontrar, por exemplo, nas bobinas de um termostato tradicional.

Denominado Bloom, o projecto parte do conceito de arquitectura genética de Karl Chu, uma visão futurista em que os edifícios se adaptam, metamorfoseiam e reagem às mudanças do seu ambiente e habitat.

EcoCasa Portuguesa
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terça-feira, 24 de abril de 2012

A CRSEEL 2012 - Construção e Reabilitação Sustentável



Num contexto em que a necessidade de construção e reabilitação do património é entendida como estratégica para o processo de desenvolvimento das sociedades,  a 2ª Edição da Conferência Construção e Reabilitação Sustentável de Edifícios no Espaço Lusófono (CRSEEL 2012) delimitada no quadro dos países da lusofonia, surge como uma resposta  ao crescente interesse que o tema tem vindo assumir nas economias de todo o espaço Lusófono.
 
A CRSEEL 2012 é uma Organização do Departamento de Engenharia Civil da FCT UNL, no quadro do Curso de Pós-Graduação em Construção Sustentável, e da Direcção-Geral do Ambiente do MAHOT de Cabo Verde
 
O debate das temáticas da Construção e Reabilitação Sustentável de Edifícios, com relevância para o contributo dos jovens investigadores, para a ação dos Projetistas e Empresas, torna-se, pois, como um vetor determinante para o alavancar de ações que conduzam a um maior reforço do conhecimento e da cooperação entre os diferentes atores do processo da formação e da reabilitação do património.
 
A Conferência contará com a presença de especialistas convidados dos diferentes países que compõem o Espaço Lusófono e importantes especialistas do projeto e da construção. Estes especialistas irão reunir um conjunto de comunicações com diferentes pontos de vista, relacionados com a investigação, o projeto e a prática da realização.
 
A conferência nesta sua 2ª Edição contará com a intervenção da Senhora Ministra do Ambiente, Habitação e Ordenamento do Território de Cabo Verde, do Senhor Ministro do Urbanismo e Construção de Angola, do Senhor Ministro do Ambiente e Obras Públicas de São Tomé e Príncipe e do Presidente da Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro, Brasil.

sábado, 10 de março de 2012

Revestimento inovador que aquece casas

 

A argamassa é colocada em diferentes locais.


Uma equipa de investigação do departamento de Engenharia Civil da Universidade do Minho(UMInho) está a criar um revestimento revolucionário para paredes e tectos que aquece/arrefece a temperatura interior das casas e escritórios. A inovação ajuda a poupar na factura eléctrica, a um maior conforto térmico e à eco-sustentabilidade.

A tecnologia baseia-se em microcápsulas termicamente activas, aplicadas na superfície das argamassas – o que deverá ser uma prática corrente dentro de dez anos, esclarece José Barroso de Aguiar, docente da UMinho.

Em concreto, o composto de gesso, cal, cimento, areia, água e cápsulas microscópicas de PCM (material de mudança de fase) é colocado nas paredes e tectos e esta camada serve como climatizador: transita de fase líquida para sólida, e vice-versa, em temperaturas próximas da ambiente (20-25ºC).

Por exemplo, ao passar de fase sólida para líquida faz descer o termómetro e reter energia do compartimento. Com estes aditivos nas argamassas consegue-se reduzir o consumo de energia (eficiência), uniformizar a solicitação à rede energética, aumentar o conforto térmico dos edifícios, evitar o gasto das não renováveis e, por efeito, minimizar o consumo de dióxido de carbono. 
Patente portuguesa versus alemã
Constituição do projecto:
O projecto designado «Contribuição de Argamassas Térmicas Activas para a Eficiência Energética dos Edifícios» é apoiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e termina em 2013. Junta cerca de 25 investigadores das universidades do Minho (promotora), Aveiro, Coimbra (através do instituto IteCons) e ainda das empresas parceiras Secil Martingança e Sival, ligadas aos ramos das argamassas de cimento, cal hidráulica e gesso. Do Departamento de Engenharia Civil da UMinho está representado o seu Centro de Território Ambiente e Construção (C-TAC), com os docentes José Barroso de Aguiar, Manuela Almeida, Luís Bragança, Miguel Ferreira, Sandra Silva e a bolseira Sandra Cunha.
A UMinho está ligada a duas patentes, que investiga desde 2004. A Alemanha começou os estudos “quase em simultâneo”. A patente portuguesa aplica o PCM na parte exterior de um reboco de duas camadas; já a patente alemã coloca o PCM em toda a espessura do reboco.

A equipa de investigação minhota diz não ter registos de uma invenção do género no resto do mundo. E, em 2012, prevê fazer um workshop para os parceiros do projecto trocarem experiências; se tudo correr bem, também irá anunciar os resultados prévios e eventuais patentes.

Além de desenvolver sistemas construtivos energeticamente mais eficientes, a presente pesquisa coordenada pela UMinho procura averiguar a viabilidade técnica da aplicação dos PCM e quantificar a redução de consumos de energia para diversos tipos de imóveis e divisórias, através da comparação com argamassas convencionais e simulação numérica.

Garantir a qualidade 
No primeiro caso, quer-se garantir que a nova tecnologia não vai fissurar nem descolar da parede e, além disso, respeita as exigências europeias. No segundo, interessa saber qual a melhor compartimentação para rentabilizar a inovação, se um apartamento tipo T2 ou uma vivenda. “Acredito nesta tecnologia, é muito útil para a sociedade em geral. Dentro de dez anos, será corrente no interior dos edifícios”, nota José Barroso de Aguiar, realçando: “Vai valer a pena pagar mais quando se constrói, mas saber que esse custo inicial [no PCM] se amortiza em poucos anos, graças à poupança em electricidade”. 

quinta-feira, 1 de março de 2012

Eco-Casa de garrafas PET



Casa construída com garrafas PET

O reaproveitamento de garrafas Pet na construção de casas.
Como solução de construção rápida e barata, a Casa PET pode ajudar a resolver o problema de déficit habitacional em várias partes do mundo.

EcoCasa Portuguesa

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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Revestimento de paredes luso altera as temperaturas



Revestimento de paredes luso altera as temperaturas
Investigadores da Universidade do Minho estão a criar um "revestimento revolucionário" para paredes e tetos que funciona como uma espécie de ar condicionado capaz de aquecer ou arrefecer a temperatura no interior das casas e escritórios.
 A inovação está a ser desenvolvida pelo Departamento de Engenharia Civil daquela instituição de ensino superior e a equipa de investigação minhota diz não ter registos de uma invenção do género no resto do mundo, o que a torna única.
 
O revestimento é uma argamassa inovadora composta por gesso, cal ou cimento, areia, água e cápsulas microscópicas de PCM (um material de mudança de fase). Esta camada serve como climatizador, transitando de fase líquida para sólida ou vice-versa em temperaturas próximas da ambiente (20-25ºC).
 
Através da transição de fase sólida para líquida é possível, por exemplo, fazer descer o termómetro e reter energia do compartimento, tornando a divisão mais fresca.

Tecnologia deverá popularizar-se em dez anos
 
Em comunicado, o professor José Barroso de Aguiar explica que a tecnologia, baseada em microcápsulas termicamente ativas aplicadas na superfície das argamassas, deverá vir a popularizar-se num futuro próximo.
 
"Acredito nesta tecnologia, é muito útil para a sociedade em geral. Dentro de dez anos será corrente no interior dos edifícios", afirmou. No que respeita ao preço elevado que a construção pode acarretar, José Barroso de Aguiar garante que se trata de um bom investimento.
 
"Vai valer a pena pagar mais quando se constrói mas saber que esse custo inicial [devido às cápsulas microscópicas] se amortiza em poucos anos, graças à poupança em eletricidade", realçou o professor.
 
Esta inovação assume uma particular importância devido ao facto de permitir reduzir o consumo de energia, aumentando a eficiência energética e ajudando a poupar na fatura elétrica e, simultaneamente, de proporcionar um maior conforto térmico e promover a ecossustentabilidade.
 
O projeto, designado "Contribuição de Argamassas Térmicas Ativas para a Eficiência Energética dos Edifícios" é apoiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e termina em 2013.
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