quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Casas em Taipa - Construção Sustentável
Construir em taipa é uma forma de utilizar o mais singelo e comum dos materiais: a terra. A pedra há que procurá-la aqui e ali, ajeitá-la, parti-la. O tijolo há que moldá-lo do barro, secá-lo, cozê-lo, dispô-lo um sobre o outro. A terra, de onde vimos e aonde retornamos, é outra coisa. Está à mão. Existe em toda a parte. Há só que compactá-la para que ganhe resistência. Prensá-la de forma adequada, para que se transforme em barreira contra a intempérie. É uma invenção quase óbvia do homem.
A construção em terra, pedra e madeira permite cumprir um dos principais papéis que se impõe às construções actuais: a sustentabilidade dos materiais utilizados. Qualquer um destes materiais é reutilizável, não constituindo qualquer perigo, nem sobrecarga ambiental mesmo após a sua vida útil.
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terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Casas em super adobe
O tijolo de adobe é um material usado na construção civil. É considerado um dos antecedentes históricos do tijolo de barro e seu processo construtivo é uma forma rudimentar de alvenaria.
O adobe foi utilizado em diversas partes do mundo, especialmente nas regiões quentes e secas, mas com o advento da industrialização no século XIX, as técnicas em arquitectura de terra foram, aos poucos, sendo abandonadas. Porém, podemos afirmar que estamos vivendo momentos de rompimento do preconceito de utilização deste material, com um novo olhar sobre a arquitectura, uma vez que esta se mostra ecológica e sustentável, por não acarretar desmatamento e emissão de gases com efeito de estufa na atmosfera como os tijolos cozidos.
A construção feita com este tijolo torna-se muito resistente, e o interior das casas muito fresco, suportando muito bem as altas temperaturas. Em regiões de clima quente e seco é comum o calor intenso durante o dia e sensíveis quedas de temperatura à noite, a inércia térmica garantida pelo adobe minimiza esta variação térmica no interior da construção. É por isso que actualmente vemos novas abordagens à construção com este tipo de material, como por exemplo a feita pelo arquitecto Nader Khalili, iraniano de nascimento, californiano por adopção, que desde finais dos anos setenta, desenvolveu na empresa que trabalha, a Cal-Earth, o que designou por “super adobe”, uma técnica de construção à base de sacos de areia e arame, à prova de terramotos, segundo o próprio.
Ainda segundo ele: “A terra é o material mais ecológico, abundante e duradouro que existe, e além disso encontra-se em qualquer local! Mil milhões de pessoas em todo o mundo precisam de habitação ou as suas casas são débeis e caem facilmente, e com o meu sistema isto não ocorre”.
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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Casas Adormecidas
Um pouco por todo o país existem casas que parecem dormir. Estão apenas à espera que alguém se apaixone por elas, as recupere e desperte para uma nova vida. São muitas as aldeias, do Minho ao Algarve, cheias de casas antigas, tantas vezes degradadas e abandonadas. De pedra, xisto, taipa ou adobe, estas são casas adormecidas, mas que a qualquer momento podem despertar.
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terça-feira, 18 de setembro de 2012
Casa Flintstones - Flintstone Home
Flintstone Home Inspires Contemporary Residence in Malibu, USA











With witty situations and original characters, the Flintstones became one of the most famous cartoons of all time. But who would have thought that its rocky homes could ever compete with the modern, minimalist residences that are so sought after today? Owned by American game-host Dick Clark and currently up for sale here, this one-of-a-kind home in Malibu, USA, not only comes with a great theme, but also with extensive views of the Pacific Ocean, Boney Mountains and Los Angeles. Seemed to have sprung out from the Stone Age town of Bedrock, the unusual crib displays impressive organic walls, defined by irregular shapes, furniture seamlessly blending with the cave-like interiors and glass windows with stunning vistas. Strangely enough, the overall feeling of this Flintstones inspired project is that of a cozy and original home, difficult not to make an impression to anyone visiting it.











terça-feira, 21 de agosto de 2012
Casas com Alma
Muitas vezes pensamos que para ter uma casa agradável é preciso gastar muito com materiais e fazer um grande esforço. Nem sempre o luxo e o conforto de uma casa têm relação com o tamanho e o tipo de materiais.
O verdadeiro luxo consiste em viver numa casa que se adapte perfeitamente aos hábitos e modo de vida de quem a habite.
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domingo, 19 de agosto de 2012
Casas em Taipa - Reabilitar de forma sustentável
Construir edifícios eficientes é importante. Mas mais importante é reabilitar os que já existem, melhorando a sua eficiência. Esta é uma das melhores formas de promover o desenvolvimento sus
tentável no mercado habitacional, reduzindo a pegada ecológica do país.
Reabilitar e transformar edifícios velhos em espaços rejuvesnecidos é pois o caminho a seguir.
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segunda-feira, 6 de agosto de 2012
O uso da taipa nas igrejas e outras construções
A construção em terra encontra-se em todo o mundo. Onde quer que falte pedra ou madeira, a solução é a utilização da terra.
E, ao contrário, do que se pode pensar, olhando à modéstia ou relativa modéstia da realidade portuguesa, existem grandes edifícios e cidades inteiras construídas em terra.
Uma ideia também aventada regularmente é a de que a construção em terra foi introduzida na Península Ibérica durante a ocupação islâmica, que aqui teria reproduzido este processo construtivo à semelhança da realidade árabe e berbere. Trata-se de mais um lugar-comum sem qualquer consistência histórica.
Naturalmente o período islâmico na Península continuou uma tradição muito mais antiga no mundo mediterrânico, embora os construtores árabes pudessem ter melhorado algumas técnicas, como no caso da taipa militar, em que à terra adicionavam cal, edificando castelos que ainda hoje sobrevivem.
A construção em terra remontará a antigas épocas da pré e da proto-história, quando o homem necessitou de abrigos cada vez mais elaborados e eficazes, em que utilizavam os materiais de que dispunham na natureza. A arqueologia tem confirmado esta afirmação.
Em Portugal, o Sul é por excelência a área da utilização da terra como material de construção, embora em todo o País se possa encontrar essa solução construtiva. Evidentemente, no Sul também existe construção em pedra, mesmo em simples moradias e até em construções de mais desqualificada função como estábulos e armazéns.
A alvenaria de pedra e cal e de pedra e barro é portanto também frequente. A pedra é geralmente o xisto, a rocha mais abundante no sudoeste português, e a argamassa o barro, na falta de cal. Efectivamente, não existem aqui terrenos calcários e a cal tem de vir de fora e fica, portanto, cara. Um exemplo da dificuldade em obter esse produto: em 1687, uma carreta foi de Alvalade buscar uma carrada de cal a Milfontes: a cal custou cinco tostões, quantia que naturalmente incluía o frete marítimo; o transporte até Alvalade ficou em 12 tostões. Total: 17 tostões (1700 réis). Mais caro o transporte que o produto.
Por isso, a ideia de um Alentejo, todo ele, branquejando de cal na planície não convém a todo o Alentejo. Lugares havia, sobretudo em zonas de maiores influências de uma tradição mais serrana, com taipas e alvenarias de xisto sem reboco de cal e areia, em que muitas das casas, principalmente as que eram construídas de pedra e barro, ofereciam um aspecto escuro, que justificava topónimos como Casa Branca que significavam nessas áreas a escassa presença de casas brancas.
A construção em terra é realizada com três técnicas: a taipa, o adobe e o tabique. Falaremos apenas na primeira, como nos foi proposto.
Basicamente, a construção em taipa baseia-se no enchimento e compactamento com terra previamente molhada de um espaço entre taipais, como uma cofragem, que em camadas sucessivas, e desencontradas para obter travamento, iam edificando as paredes. Em geral, os caboucos eram de pedra até cerca de meio metro para evitar a acção da humidade ascendente. Com efeito, um dos pontos fracos da taipa é a humidade e a falta de protecção de um reboco, que se fazia de uma argamassa de cal e areia. Por isso, a taipa é uma solução que também tem uma envolvente climática, uma vez que é mais apropriada para áreas menos pluviosas.
Para dar mais consistência aos edifícios, construíam-se por vezes contrafortes, os moirões, que impediam desequilíbrios das paredes. Os moirões eram também usados nas edificações de pedra.
Por outro lado, a qualidade da taipa dependia também da matéria-prima: terra mais ou menos argilosa, mistura maior ou menor de saibro, etc. Depois também dependia dos taipeiros: dizia-se popularmente que devia ser “transportada por um coxo e batida por um louco”, significando a lentidão que era necessária para consolidação da taipa e a energia exigida a quem tinha o trabalho de usar o pilão para compactar bem a terra.
No antigo concelho de Alvalade, há notícias documentais de construção em taipa. As visitações quinhentistas da Ordem de Santiago referem-na, embora, em geral, as igrejas, especialmente as matrizes, o principal objecto dessas inspecções, fossem, como edifícios de prestígio, em alvenaria de pedra e cal ou pedra e barro, até porque os mestres seriam muitas vezes de fora.
É interessante a menção à técnica da taipa em igrejas como a de Alvalade, vila que viu a sua matriz reedificada em tempo de D. Manuel, decerto com a intervenção do comendador da Ordem de Santiago. Os visitadores desta última, em 1510, ao descreverem a igreja matriz, diziam que “a qual capela (mor) é de abóbada, e todas as paredes são de tijolo e cal [… ] O arco principal da dita capela é todo de tijolo e cal […] a sacristia é de abóbada e as paredes são de taipa com formigão de tijolo e cal […] O corpo da igreja é de uma só nave com três arcos de tijolo, sobre os quais está madeirada e olivelada de madeira de castanho e pinho, e é mui bem telhada e cintada de cal, e as paredes são de taipa com alicerces de pedra e cal e formigões de tijolo com face de cal de dentro e de fora”.
Apesar da referência à taipa, estas passagens precisam de ser esclarecidas. Na verdade o termo formigão significa um tipo de construção semelhante à taipa, mas em que a terra é substituída por cal hidráulica, fazendo uma argamassa de grande consistência e durabilidade. Já os romanos utilizaram esta técnica para obterem massas tão duras como o cimento e mais duráveis (o opus signinum).
No caso concreto, parece, pela redacção do visitador, que o termo formigão se distingue da taipa. Provavelmente, o que o visitador queria dizer era que a taipa de formigão tinha mistura de cal e tijolo, ou cal e cerâmica, como vemos por exemplo no opus signinum romano da fase tardia.
Estamos perante uma matriz, em que foram aplicados meios financeiros de algum vulto. Daí a presença da cal bem como de cantarias. Não é referido o portal principal, de cantaria lavrada, manuelino, que hoje podemos apreciar, mas trata-se estilisticamente de um portal daquela época. As abóbadas da capela-mor e da sacristia também revelam os cuidados em dar à igreja uma maior dignidade.
Segundo o mesmo documento, quase todos os restantes templos do termo de Alvalade, a maior parte modestas ermidas, eram edificados em terra. Sem o peso de abóbadas, a taipa era a melhor e mais barata solução para as paredes.
O hospital do Espírito Santo tinha três casas, uma dianteira e duas câmaras para os pobres; as paredes, de taipa, e a cobertura de telha vã.
A ermida de S. Pedro, uma simples casa sem distinção de ousia e corpo, era também de taipa, coberta de telha vã; o visitador acrescentava que não tinha portas, mas somente “uma entrada que lhe deixaram quando fizeram as taipas”. Em 1533, a ermida que havia caído foi reconstruída, com paredes de taipa e telha vã. De taipa era também o altar.
A ermida de S. Roque, por sua vez, não tinha mais que a capela, “olivelada”, isto é forrada, de castanho, sendo as paredes e o altar de taipa. No entanto, anos depois os visitadores escreviam que “as paredes são de taipa de formigão”, com os cunhais e o portal de tijolo de alvenaria, decerto resultado de obras recentes que a beneficiaram em muito.
A ermida de S. Sebastião era então uma casa muito velha, com altar de alvenaria. Mas em 1533, a capela já tinha abóbada de nervura cruzada, em pedraria, e as paredes de “taipa com seu formigão” No entanto, o corpo não estava erguido além dos alicerces de pedra e barro, certamente esperando a conclusão das paredes em taipa.
Quanto à ermida de Santa Maria do Roxo, templo de mais nomeada, oferecia as duas soluções construtivas: a capela-mor, abobadada com arcos de pedraria, em cuja chave central estava gravada a cruz de Santiago, era de alvenaria, de pedra de xisto certamente; o corpo da ermida era coberto de telha vã, e, sem abóbada que exigisse maior sustentação, as paredes eram de taipa. Note-se que, tal como na matriz, também aqui o portal era de pedraria, o que só por si mostra uma maior importância.
O uso da taipa que no princípio do século XVI era tão usada em edifícios religiosos, não deixaria de o ser, por maioria de razões, nas casas de habitação. A vila de Alvalade seria nessa época uma vila de taipa, já nas casas, já nos muros de adros de igrejas, já nas cercas divisórias e protectoras das pequenas courelas e vinhas, enfim em todo o tipo de construções. Mais tarde, vemo-la, por exemplo, nos moinhos de vento.
Em 1758, depois do terramoto do 1.º de Novembro de 1755, escrevia o prior: A terra padeceo de ruina no dia do terramoto de mil setecentos e cinquenta e cinco principalmente nas igrejas de que as ermidas cairão demolidas e só a igreja matriz reparada a requerimento do pároco na mesa da consciência aonde pertence, a Misericórdia e Espirito Santo pello provedor da mesma (…) junto a esta villa tem duas ermidas, a de S.Pedro já há muitos annos demolida, outra a de S. Sebastião totalmente arruinada no dia do terramoto”.
Efectivamente outros dos problemas da construção em taipa era a sua fraca resistência aos tremores de terra. O pároco de Milfontes atribuía a intervenção divina o facto de nenhuma das casas da vila ter caído apesar de serem de taipa.
De certo modo podemos dizer que em Alvalade, como em toda esta região, a taipa constituiu uma arquitectura popular, no duplo sentido da sua utilização pelas classes menos abastadas e da sua extraordinária difusão. No entanto, esta afirmação não completa o papel da taipa, usada em Alvalade em edifícios sobradados, alguns de notável dimensão e qualidade arquitectónica. O próprio edifício que a tradição diz ser casa de morada de juízes e escrivães, também de dois pisos, é de taipa.
No campo, muitos dos muros que rodeavam a pequena propriedade eram de taipa. Nos arredores das povoações e em zonas onde surgia a repartição da propriedade, caracterizada pela policultura e tratamento intensivo da terra, o hábito de cercar essas pequenas parcelas divulgou-se sobremaneira. Tratava-se de proteger, dos animais e das pessoas, as valiosas culturas (vinhas, hortícolas, olivais) existentes nessas parcelas, para o efeito “vedadas e coimeiras”. Em Colos, por exemplo, as próprias posturas municipais contemplavam a questão do “tapejo” de vinhas, hortas e, até, ferragiais. Estas taipas, de que ainda existem vestígios, marcavam a paisagem. Sobre cabouco de pedra, erguiam-se a cerca de um metro de altura. Muitas vezes, eram “bardadas”, isto é, encimadas por uma camada de mato, coberto de terra batida em ângulo; pranchas de cortiça substituíam por vezes o mato. Mato ou cortiça sobressaíam alguns centímetros para cada lado do muro, melhorando a protecção e dificultando a transposição por pessoas ou animais. Os viajantes estrangeiros reparavam nesses muros cobertos de cortiça e faziam-lhes menção nos seus livros de viagens. Parecem ter dado origem a certos topónimos com o elemento “taipa” (Vale das Taipas, por exemplo).
Naturalmente, a construção de casas e, onde os havia, de muros para cercas exigia extracção de terra. Quando esta se fazia em grande quantidade, a câmara era obrigada a regulamentar. Assim, em Colos, em 1709, uma postura proibia a extracção indiscriminada de terra em volta da vila, e reservava um local para o efeito. A respectiva coima era a dobrar quando o infractor fosse pedreiro ou servente.
A utilização do revestimento de cortiça em habitações e outros edifícios está bem testemunhada nesta região. Em 1517, a igreja de Milfontes tinha a sacristia forrada de cortiça, material que também era aplicado na do Cercal. Nesta, a nave, de paredes em pedra e barro, era “olivelada de cortiça toda pintada”, tal como o alpendre. Este material, não obstante as suas propriedades isolantes, seria considerado menos nobre do que a madeira de castanho, que revestia a capela-mor. Anos depois, em 1554, tanto a capela-mor como o corpo da igreja estavam emadeirados de castanho e encortiçados, possivelmente a madeira no tecto e a cortiça nas paredes. Note-se que se a cortiça era abundante no Cercal, o madeira de castanho também, pois no local havia um bom souto, que deixou sinal na toponímia.
Quando, em chuvosa noite de Janeiro de 1573, D. Sebastião passou em Colos, aqui pernoitou numas “casas térreas e pequenas”, certamente de taipa, com apenas dois compartimentos “habitáveis”, por serem forrados de cortiça. Região produtora de cortiça, o litoral alentejano usava este material, de que dispunha facilmente e em grande quantidade. Mas há notícias do seu uso noutras regiões. Por exemplo, no convento dos Capuchos em Sintra, cuja humidade foi comparada, por um viajante inglês, à do húmido convento do Cabo de São Vicente.
Encontramos uma outra curiosa utilização desta matéria-prima, no sítio de Baleizão, em Santo André. Aqui, podemos observar uma autêntica alvenaria de cortiça na empena do monte, com argamassa de terra e reboco de cal e areia. Portanto, a terra, a cortiça e a cal associadas.
Acrescente-se que certos materiais, como a cana, usados no forro de casas de habitação, poderão constituir solução construtiva mais recente. Pelo menos, não aparece referência na documentação consultada, o que, na realidade, não é comprovativo do seu não uso. De qualquer modo, eles inscrevem-se numa normal tendência de utilização de matéria-prima local. A propósito, ainda recordo, em Milfontes, uma casa (aliás, dita “cabana”), feita em junco, onde morava uma família.
A partir destes exemplos, carreados um pouco ao acaso, confirma-se que a utilização da terra na construção, através da técnica da taipa, teve forte presença na região. Ela era sobretudo usada em construções modestas, mas não deixava de o ser em edifícios mais prestigiosos como as igrejas. Também nestas, contudo, o seu uso ficou reservado a edificações mais singelas, parecendo clara a consciência das suas limitações quando se tratava de pedir às paredes maior resistência, como no caso das coberturas em abóbada. No entanto, como ainda podemos ver hoje, o uso da taipa não se terá reservado a edifícios de um só piso; em todo o caso, numa região em que predominavam largamente as pequenas construções térreas, o seu domínio foi notável, nalguns casos quase absoluto. De certo modo podemos dizer que aqui a taipa constituiu uma arquitectura popular, no duplo sentido da sua utilização pelas classes menos abastadas (embora não só) e da sua extraordinária difusão. Não é de esquecer igualmente a grande utilização da construção em taipa aplicada aos muros divisórios e protectores da pequena exploração agrícola na periferia de algumas povoações e noutros locais onde se desenvolveu a policultura e a repartição da propriedade. Frequentemente, a rede, mais ou menos densa, desses muros baixos, não rebocados, nem caiados, marcava a paisagem e indiciava o tipo de apropriação económica do espaço.
Quanto ao revestimento de cortiça, não estando necessariamente associado à construção em terra, pareceu, contudo, interessante tratá-lo simultaneamente, uma vez que ambos surgem particularmente referenciados nas fontes e ambos constituem soluções construtivas baseadas em materiais locais. Nas duas circunstâncias referenciadas de utilização da construção em terra, a cortiça aparece utilizada em revestimento, num caso para melhorar a qualidade habitacional, e, no outro, como elemento de protecção e conservação. Isto, muito séculos antes da moderna utilização da cortiça e dos seus derivados. A potencialidade plástica de ambas as matérias-primas, as suas qualidades isolantes, portanto de protecção, a sua disponibilidade, a facilidade do seu uso, a ancestral relação com o homem e o consequente desenvolvimento de competências no seu aproveitamento estão na base do seu sucesso.
António Martins Quaresma
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Português apresenta em Madrid projecto de 'casa girassol'
Manuel Lopes tem 40 anos e sonha com «o primeiro aldeamento vivo do mundo», em que várias casas de um bairro girem em sincronia como num campo de girassóis, de modo a recolher mais energia do que consomem.Para este aluno de mestrado na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP), o futuro passa também pela apresentação do projecto ‘Casas em Movimento’ na Solar Decathlon, a maior feira do mundo especializada em arquitectura sustentável, que em Setembro deste ano se realiza em Madrid (Espanha).
A maquete já está pronta e ilustra «o sistema mecânico que permite que a cobertura da casa, revestida a painéis fotovoltaicos, se comporte com um efeito de girassol», o que pode permitir produzir «cerca de duas vezes e meia mais electricidade do que precisa».
Manuel Lopes conta até com o apoio do vencedor do prémio Pritzker de 2011, Eduardo Souto de Moura, que assegurou que tinha entre mãos um projecto «à Souto de Moura» e que já garantiu a presença na Solar Decathlon.
A ideia começou por ser desenvolvida no âmbito do projecto LIDERA da Universidade do Porto, um programa de apoio a iniciativas multidisciplinares que fomentem a auto-aprendizagem.
Em entrevista à Lusa, Manuel contou que começou por «desenvolver uma solução que permitisse entender os painéis fotovoltaicos enquanto parte integrante da casa e não como mero apêndice que se colocasse em cima dela».
«Os movimentos da casa surgiram como solução para obter uma maior produção de energia», explicou, «sempre na perspectiva de conseguir um ganho térmico de forma a conseguir mais sombra durante o verão e permitindo que o sol incida mais na fachada durante o inverno», dando assim azo a um ganho térmico na ordem dos 60 a 80 por cento.
Além da plataforma giratória que movimenta toda a estrutura da casa, o projecto contempla uma pala, ou cobertura, revestida a painéis fotovoltaicos, que possui rotação própria e que «por si só já garante um ganho de 20% em produção de energia».
Manuel Lopes revelou ainda que «estes complementos não têm que existir em simultâneo», podendo ser adquiridos posteriormente e tirando partido da estrutura modular da casa, que pode até pagar a sua própria evolução com os ganhos energéticos que vai permitindo.
«Pode mesmo, ao longo do seu ciclo de vida, não efectuar qualquer movimento, porque a casa produz sempre muito mais energia do que utiliza, mesmo tendo em conta os consumos das movimentações mecânicas da cobertura ou de toda a estrutura», garantiu.
Manuel Lopes lidera a única equipa nacional representada na Solar Decathlon e o objetivo será também «mostrar os recursos do país, a partir de elementos como o próprio revestimento da casa, que é feito em cortiça».
A promoção nacional será fundamental na apresentação do projecto, até porque a organização «avalia desde a comunicação à gastronomia».
Por isso, vai levar um chef de cozinha para «mostrar como se come bem por cá» e quer ainda levar um grupo de fados, além de incorporar a cultura portuguesa no projecto ao utilizar a calçada portuguesa nos arranjos exteriores da maquete e do protótipo.
A ideia das ‘Casas em Movimento’ conta já com apoios de parceiros que vão da EDP à EFACEC ou a SONAE, uma ajuda «essencial» para a construção do protótipo, que deverá custar entre 250 mil e 300 mil euros.
O arquitecto sonha em projectar um destes aldeamentos vivos nas encostas do Douro, até porque acredita que com a industrialização e comercialização esse valor possa descer até metade, para ser depois compensado pela produção energética.
Em Madrid, a exibição do protótipo à escala real de uma das ‘Casas em Movimento’ deverá permitir que cerca de 200 mil visitantes conheçam não só a arquitectura, mas a cultura portuguesa.
Lusa/SOL
A maquete já está pronta e ilustra «o sistema mecânico que permite que a cobertura da casa, revestida a painéis fotovoltaicos, se comporte com um efeito de girassol», o que pode permitir produzir «cerca de duas vezes e meia mais electricidade do que precisa».
Manuel Lopes conta até com o apoio do vencedor do prémio Pritzker de 2011, Eduardo Souto de Moura, que assegurou que tinha entre mãos um projecto «à Souto de Moura» e que já garantiu a presença na Solar Decathlon.
A ideia começou por ser desenvolvida no âmbito do projecto LIDERA da Universidade do Porto, um programa de apoio a iniciativas multidisciplinares que fomentem a auto-aprendizagem.
Em entrevista à Lusa, Manuel contou que começou por «desenvolver uma solução que permitisse entender os painéis fotovoltaicos enquanto parte integrante da casa e não como mero apêndice que se colocasse em cima dela».
«Os movimentos da casa surgiram como solução para obter uma maior produção de energia», explicou, «sempre na perspectiva de conseguir um ganho térmico de forma a conseguir mais sombra durante o verão e permitindo que o sol incida mais na fachada durante o inverno», dando assim azo a um ganho térmico na ordem dos 60 a 80 por cento.
Além da plataforma giratória que movimenta toda a estrutura da casa, o projecto contempla uma pala, ou cobertura, revestida a painéis fotovoltaicos, que possui rotação própria e que «por si só já garante um ganho de 20% em produção de energia».
Manuel Lopes revelou ainda que «estes complementos não têm que existir em simultâneo», podendo ser adquiridos posteriormente e tirando partido da estrutura modular da casa, que pode até pagar a sua própria evolução com os ganhos energéticos que vai permitindo.
«Pode mesmo, ao longo do seu ciclo de vida, não efectuar qualquer movimento, porque a casa produz sempre muito mais energia do que utiliza, mesmo tendo em conta os consumos das movimentações mecânicas da cobertura ou de toda a estrutura», garantiu.
Manuel Lopes lidera a única equipa nacional representada na Solar Decathlon e o objetivo será também «mostrar os recursos do país, a partir de elementos como o próprio revestimento da casa, que é feito em cortiça».
A promoção nacional será fundamental na apresentação do projecto, até porque a organização «avalia desde a comunicação à gastronomia».
Por isso, vai levar um chef de cozinha para «mostrar como se come bem por cá» e quer ainda levar um grupo de fados, além de incorporar a cultura portuguesa no projecto ao utilizar a calçada portuguesa nos arranjos exteriores da maquete e do protótipo.
A ideia das ‘Casas em Movimento’ conta já com apoios de parceiros que vão da EDP à EFACEC ou a SONAE, uma ajuda «essencial» para a construção do protótipo, que deverá custar entre 250 mil e 300 mil euros.
O arquitecto sonha em projectar um destes aldeamentos vivos nas encostas do Douro, até porque acredita que com a industrialização e comercialização esse valor possa descer até metade, para ser depois compensado pela produção energética.
Em Madrid, a exibição do protótipo à escala real de uma das ‘Casas em Movimento’ deverá permitir que cerca de 200 mil visitantes conheçam não só a arquitectura, mas a cultura portuguesa.
Lusa/SOL
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quinta-feira, 3 de maio de 2012
Arquitectura genética
A Universidade do Sul da Califórnia (USC) construiu um pavilhão metálico que muda consoante as condições atmosféricas, um projecto que consiste em 14 mil peças de um material biometálico chamado termobiometal e que podemos encontrar, por exemplo, nas bobinas de um termostato tradicional.
Denominado Bloom, o projecto parte do conceito de arquitectura genética de Karl Chu, uma visão futurista em que os edifícios se adaptam, metamorfoseiam e reagem às mudanças do seu ambiente e habitat.
EcoCasa Portuguesa
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Denominado Bloom, o projecto parte do conceito de arquitectura genética de Karl Chu, uma visão futurista em que os edifícios se adaptam, metamorfoseiam e reagem às mudanças do seu ambiente e habitat.
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terça-feira, 24 de abril de 2012
A CRSEEL 2012 - Construção e Reabilitação Sustentável
Num contexto em que a necessidade de construção e reabilitação do património é entendida como estratégica para o processo de desenvolvimento das sociedades, a 2ª Edição da Conferência Construção e Reabilitação Sustentável de Edifícios no Espaço Lusófono (CRSEEL 2012) delimitada no quadro dos países da lusofonia, surge como uma resposta ao crescente interesse que o tema tem vindo assumir nas economias de todo o espaço Lusófono.
A CRSEEL 2012 é uma Organização do Departamento de Engenharia Civil da FCT UNL, no quadro do Curso de Pós-Graduação em Construção Sustentável, e da Direcção-Geral do Ambiente do MAHOT de Cabo Verde
O debate das temáticas da Construção e Reabilitação Sustentável de Edifícios, com relevância para o contributo dos jovens investigadores, para a ação dos Projetistas e Empresas, torna-se, pois, como um vetor determinante para o alavancar de ações que conduzam a um maior reforço do conhecimento e da cooperação entre os diferentes atores do processo da formação e da reabilitação do património.
A Conferência contará com a presença de especialistas convidados dos diferentes países que compõem o Espaço Lusófono e importantes especialistas do projeto e da construção. Estes especialistas irão reunir um conjunto de comunicações com diferentes pontos de vista, relacionados com a investigação, o projeto e a prática da realização.
A conferência nesta sua 2ª Edição contará com a intervenção da Senhora Ministra do Ambiente, Habitação e Ordenamento do Território de Cabo Verde, do Senhor Ministro do Urbanismo e Construção de Angola, do Senhor Ministro do Ambiente e Obras Públicas de São Tomé e Príncipe e do Presidente da Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro, Brasil.
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