quarta-feira, 8 de março de 2017
Eco Casas - Isolamento Térmico
Muito cimento, poucos espaços verdes. Muito consumo, poucas fontes de energia sustentáveis. Muito conforto, pouco respeito pela natureza. Construir uma casa ecológica é uma acção responsável.
O isolamento térmico é um dos mais importantes aspectos na construção de uma casa sustentável.
Um bom isolamento diminui excessivas trocas térmicas entre interior e exterior, impedindo perdas de calor nos dias frios e sobreaquecimento nas estações quentes. O material de isolamento deverá ter um baixo índice de condutibilidade térmica e baixa energia incorporada.
O aglomerado de cortiça é uma matéria prima completamente natural e renovável. É extraída do sobreiro, uma árvore que subsiste sem recurso a herbicidas químicos, fertilizantes ou irrigação. É um bom – e duradouro – isolante acústico e térmico.
Na construção, a lã de rocha é, também, commumente utilizada. O seu fabrico implica gasto de energia e gera emissões de CO₂. No entanto, quando bem utilizado, e no que ao isolamento térmico concerne, economiza muita energia, superando este impacto negativo. O mesmo acontece com a lã de vidro.
A espuma de poliuretano é, igualmente, um bom isolante térmico. O seu fabrico não comporta riscos para a saúde ou para o ambiente e consome pouca energia. Para além disso, é produzida sem utilizar gases CPC e HCFC que destroem a camada de ozono.
Se optar por poliestireno extrudido, escolha uma marca que produza este material sem gases, indo de encontro às directivas europeias.
terça-feira, 7 de março de 2017
Energias Renováveis
Diz-se que uma fonte de energia é renovável quando não é possível estabelecer um fim temporal para a sua utilização. É o caso do calor emitido pelo sol, da existência do vento, das marés ou dos cursos de água. As energias renováveis são virtualmente inesgotáveis, mas limitadas em termos da quantidade de energia que é possível extrair em cada momento.
Existem diversas tecnologias de energias renováveis/alternativas:
- solar térmico;
- solar fotovoltaico;
- eólica;
- bomba de calor geotérmica;
- recuperadores de calor e sistemas a pellets.
Solar térmico:
Os painéis solares térmicos têm um leque de opções muito variado em termos de tecnologia. Para o uso doméstico as principais são:
- colectores planos – são os mais comuns, sendo utilizados para a produção de água quente a temperaturas inferiores a 60 ºC;
- CPC (concentradores parabólicos compostos) - combinam as propriedades dos colectores planos (podem ser fixos e captam a radiação difusa) com a capacidade de produzirem água quente a temperaturas mais elevadas (>70ºC). O seu rendimento é maior que o dos colectores planos.
Relativamente ao tipo de sistema estes podem ser de:
- circulação em termosifão - funciona pelo principio de que um fluido quente é menos denso do que um fluido frio, fazendo com que o quente suba e o frio desça. Assim, neste sistema, a água aquecida pelo Sol no colector sobe, "empurrando" a água mais fria do depósito para baixo, forçando-a a tomar o seu lugar; esta subirá novamente quando por sua vez for aquecida. Este sistema não precisa de uma bomba para movimentar o fluído, mas o depósito tem que ser instalado acima do colector, o que normalmente significa ficar no telhado e portanto visível.
- circulação forçada – recorre a uma bomba para movimentar o fluido térmico. Este sistema é necessário quando não é viável a colocação do depósito acima dos colectores e também para os grandes sistemas em geral. A desvantagem é ser mais dispendioso.
Os sistemas solar térmicos também podem ser classificados como:
- directos - em que o sol aquece directamente a água; ou
- indirectos – em que o sol aquece um líquido que por sua vez vai aquecer a água; este sistema é indicado para locais em que as temperaturas atingem valores muito baixos.
Solar fotovoltaico:
A energia fotovoltaica pode ser produzida de várias formas, com grandes variações de eficiência e custos.
Os três tipos mais comuns de células solares são:
- Silício monocristalino: é o mais eficiente dos sistemas comerciais, com uma boa relação qualidade/custo, pois requer uma menor área de captação face a outros sistemas;
- Silício policristalino: tem uma eficiência média e um tempo de vida útil menor do que o monocristalino;
- Silício amorfo: apresenta uma baixa eficiência, sendo usado maioritariamente em produtos de uso pessoal como relógios e calculadoras. O seu tempo de vida útil é inferior aos dois tipos de células anteriores.
Os sistemas fotovoltaicos têm uma cobertura (em vidro ou plástico), que protege as células fotovoltaicas dos elementos naturais (vento, chuva), embora diminua o rendimento das células ao criar um efeito de estufa.
Esta tecnologia encontra-se hoje em franca evolução, caminhando cada vez mais para um rendimento consideravelmente superior. Por outro lado, estão também em desenvolvimento células de baixo rendimento, mas com um custo de aquisição bastante acessível, podendo contribuir para uma maior implementação desta fonte de energia.
Eólico:
O aerogerador é um bom investimento quer isolado quer como complemento de um sistema fotovoltaico, uma vez que o seu bom funcionamento no Inverno e de noite, compensa a pouca energia fornecida pelo fotovoltaico nestas alturas.
Existem essencialmente dois tipos de turbinas eólicas:
- de eixo horizontal: são o tipo de turbinas mais comuns, como as aplicadas na maior parte dos parques eólicos. Actualmente a maior parte é constituída por três pás, existindo no entanto turbinas com duas e apenas uma pá (eventualmente com menor custo em material). A principal desvantagem destas turbinas com duas ou uma pá é a menor estabilidade da estrutura.
- de eixo vertical: Estas turbinas, mais invulgares, são mais indicadas para o meio urbano do que as de eixo horizontal, pois reagem melhor ao vento variável ou incerto que caracteriza deste meio (o seu comportamento neste espaço é uma incógnita). Por outro lado, precisam de uma velocidade de iniciação mais baixa.
A bomba de calor é um sistema de aquecimento e arrefecimento, com a possibilidade de alternar entre os dois modos, carregando num botão instalado no seu termóstato interior. No modo de arrefecimento, a bomba de calor extrai o calor da casa e transfere-o para a terra através do permutador instalado no subsolo.
Existem dois modelos básicos de permutadores: abertos e fechados.
Loops Abertos - Este termo é normalmente utilizado para descrever sistemas de bombas de calor de subsolo que utilizam as águas subterrâneas como fonte de aquecimento ou arrefecimento. A água circula pela bomba de calor de onde é extraída ou adicionada a sua temperatura, sendo depois depositada no subsolo de maneira apropriada. Como as águas subterrâneas apresentam uma temperatura mais ou menos constante ao longo do ano, acabam por ser uma excelente forma de energia térmica.
Loops Fechados - Este termo refere-se a sistemas de bombas de calor de subsolo que utilizem como fonte de energia térmica um ‘loop' contínuo de tubos PAED que se encontram no subsolo e fazem a permuta de calor. Estes tubos são ligados à bomba de calor situada no interior da casa, formando um ‘loop' selado e subterrâneo por onde circula a solução aquosa. Ao contrário do ‘loop' aberto, que utiliza as águas subterrâneas, um ‘loop' fechado faz movimentar a solução aquosa, circulando, assim também a temperatura do subsolo.
Recuperadores de calor e sistemas a pellets:
A lareira é um sistema de aquecimento geralmente atractivo. No entanto, se for uma lareira aberta, acaba por se tornar num sistema altamente ineficiente por aquecer muito pouco a habitação devido à dispersão do calor, servindo mais como elemento decorativo.
Assim, quem escolher a lareira como modo de aquecimento, deve considerar a utilização de uma lareira fechada ou com recuperador de calor. Este sistema permite fazer uma melhor gestão da queima da lenha, reduzindo o seu consumo e fornecendo muito mais calor à habitação.
Em alternativa, pode-se ainda optar por um sistema a pellets, semelhante a uma salamandra, mas que em vez de utilizar lenha, queima estes restos de madeira prensados e granulados, provenientes da limpeza de florestas e dos restos da indústria da madeira.
segunda-feira, 6 de março de 2017
Dois mil livros gratuitos sobre bioconstrução e permacultura
A plataforma virtual Ideas Verdes disponibilizou uma biblioteca com mais de dois mil livros, artigos e documentos gratuitos sobre bioconstrução, permacultura, agroecologia e sustentabilidade. Assuntos que desde os anos 1990 vêm sendo discutidos na agenda global e que na última década ganharam ainda mais peso devido aos efeitos já sensíveis da mudança climática em diversas partes do mundo, a biblioteca gratuita, com títulos em espanhol e inglês, pode ser uma fonte bastante útil para arquitetos, planejadores e paisagistas.
Em sua página oficial, a plataforma compilou uma lista resumida de títulos voltados ao estudo da permacultura, agroecologia e bioconstrução. Veja as sugestões a seguir:
PERMACULTURA E AGROECOLOGIA
- John Seymour – El Agricultor Autosuficiente
- John Seymour – La Vida En El Campo
- Fukuoka – La Revolucion De Una Brizna De Paja
- Fukuoka – La Senda Del Cultivo Natural
- Bill Mollison – Introduccion A La Permacultura
- Bill Mollison – La Parabola Del Pollo
- Bill Mollison – El Momento Mas Terrible Del Dia
- David Holmgren – La escencia de la permacultura
- David Holmgren – Dinero Vs Energía fósil
- Emilia Hazelip – Coleccion De Agricultura Sinergica
- Jairo Restrepo – ABC agricultura organica y harina de rocas
- Jairo Restrepo – Abonos Organicos Fermentados
- G.E. Xoriguer – Manual Practico para Construir Cajas Nidos
- Mariano Bueno – Como Hacer Un Buen Compost
- Josep Rosello – Como Obtener Tus Propias Semillas
- Jerome Goust – El Placer De Obtener Tus Semillas
- J. Fernandez-Pola – Cultivo De Plantas Medicinales Y Aromaticas
BIOCONSTRUÇÃO
- Predes – Construccion De Vivienda En Adobe
- Gernot Minke – Manual De Construcción Con Paja
- Gernot Minke – Manual De Construccion En Tierra
- Gernot Minke – Techos Verdes
- Johan Van Lengen – Cantos Del Arquitecto Descalzo
- Johnny Salazar – Construyendo Con COB
- Elias Rosales Escalante – Manual De Tratamiento De Aguas Grises
- Bill Steen – La Casa De Fardos De Paja
- Lourdes Castillo Castillo – Sanitario Ecológico Seco
- Gustavo San Juan – Manual De Construccion De Calentador Solar De Agua
- Pedro M. Molina – Como Hacer Hornos De Barro
Para acessar os mais de dois mil livros gratuitos para download clique aqui e navegue na biblioteca digital do Ideas Verdes.
Eco Casas - Energia Solar
A maior parte da energia do sol é a luz visível que pode ser aproveitada através da conversão em energia eléctrica através do uso de células fotovotaicas.
Na sua maioria, as células fotovoltaicas são feitas de silicone , que é um dos materiais mais comuns na terra. Quando a luz solar incide numa célula fotovoltaica, os electrões viajam entre duas camadas através de uma arame devido a diferentes propriedades dos dois bocados finos de silicone.
Para a captação eficiente e geração de energia, as células fotovoltaicas são ligadas formando tabelas fotvoltaicas. Desta forma as células podem produzir electricidade suficiente para um consumo doméstico.
É cada vez mais comum, em grande parte devido aos benefícios concedidos pelo Estado, ver painéis solares instalados em habitações (e não só) por todo o país.
A armazenagem de electricidade obtida através da luz solar é feito geralmente através do uso de uma bateria recarregável que contêm peças especiais e produtos químicos sendo capazes de carregar e descarregar energia quando necessário.
Existe também um controlador de carga electrónico que permite o carregamento da bateria de forma eficiente e impede que o painel solar sature a mesma protegendo os próprios painéis solares de danos eléctricos, mantendo a corrente unidireccional.
O uso de aparelhos domésticos é possibilitado por um inversor de energia que transforma a corrente directa (DC) emitida pela bateria em corrente alternada (AC). Hoje em dia muitos dos controladores de carga já vêm equipados com o seu próprio inversor.
O uso dos painéis solares, que estão cada vez mais baratos e acessíveis, pode ser feito em perfeita sintonia com outras fontes de energia como a rede pública eléctrica.
Em alguns casos a energia produzida é superior à energia consumida podendo o excesso ser vendido à própria rede pública. A situação mais comum é fornecimento de electricidade durante o dia ser efectuado pelos painéis solares e durante a noite pela rede eléctrica nacional.
Benefícios Económicos
- Depois do investimento inicial ser recuperado, a energia do sol é praticamente GRATUITA.
- A recuperação / período de recuperação de investimento deste investimento pode ser muito curto dependendo de quanta electricidade a sua casa usa.
- Estímulos financeiros são a forma disponível o governo que reduzirá o seu preço.
- Se o seu sistema produzir mais energia do que aquela que é usada, a sua companhia de electricidade pode compra-lo de você, acumulando um crédito na sua conta!
- Energia Solar não necessita de nenhum combustível.
- Não é afectado pela provisão e a exigência do combustível e por isso não é submetido ao preço sempre que aumenta o do petróleo.
- O uso da energia solar indirectamente reduz preços de saúde.
Benefícios Ambientais
- Energia Solar é limpa, renovável (diferentemente de gás, óleo e carvão) e sustentável, ajudando a proteger o nosso ambiente.
- Não polui o nosso ar lançando bióxido de carbono, o óxido de nitrogénio, o bióxido de cor de enxofre ou o mercúrio na atmosfera como muitas formas tradicionais de gerações eléctricas fazem.
- Não contribui para aquecimento global, chuva ácida ou mistura de neblina e poluição.
- Contribui para a redução de emissões de gás de estufa verdes perigosos.
- É gerado onde é necessário.
- Não contribui para o preço e problemas da recuperação e o transporte do combustível ou o armazenamento de resíduos radioactivos.
Benefícios de Autonomia
- Pode ser utilizado para compensar o consumo de energia fornecido por utilidade. Não só reduz a sua conta de electricidade, mas também continuará fornecendo a sua casa com a electricidade no caso de uma perda por problemas na rede.
- Um sistema de Energia Solar pode funcionar de forma totalmente independente, não necessitando duma conexão a um rede. Os sistemas, por isso, podem ser instalados em posições remotas (como cabanas de de férias), fazendo-o mais prático e rentável do que a provisão da electricidade de serviço a um novo sítio.
- O uso da Energia Solar reduz a nossa dependência de fontes estrangeiras e/ou centralizadas da energia, sob o efeito de catástrofes naturais ou eventos internacionais e assim contribui para um futuro sustentável.
- Energia Solar apoia o emprego local e a criação de prosperidade, funcionando como fomentador de economias locais.
Benefícios de Manutenção
- Praticamente livre de manutenção e durarão durante décadas.
- Uma Vez instalado, não há nenhum custo a acrescentar.
- Funcionamento silencioso, não têm nenhuma parte em movimento, não liberta cheiros ofensivos e não necessita de combustível.
- Mais painéis solares pode ser facilmente acrescentados no futuro quando as necessidades da sua família crescem.
Parceiro: APREN
domingo, 5 de março de 2017
Eco Casas - Orientação Solar
A orientação solar de um edifício é muito importante para que se possa fazer um aproveitamento da energia solar, contribuindo assim para o bom desempenho energético de um edifício.
Em Portugal, de acordo com a sua situação geográfica, o quadrante Sul é aquele que recebe maior radiação solar ao longo do dia. Este será portanto a orientação privilegiada para fazer o aproveitamento dos ganhos solares.
Em Portugal, de acordo com a sua situação geográfica, o quadrante Sul é aquele que recebe maior radiação solar ao longo do dia. Este será portanto a orientação privilegiada para fazer o aproveitamento dos ganhos solares.
Por oposição, o quadrante Norte será aquele que menor quantidade de radiação solar directa recebe, chegando mesmo a não receber radiação. Nesta orientação irão assim verificar-se perdas térmicas.
A Nascente verificam-se a radiação solar directa ao longo do período da manhã, contrariamente a Poente que só receberá radiação solar directa no período da tarde.
Tendo esta informação como ponto de partida, devem ser desenvolvidas estratégias para fazer o adequado aproveitamento da energia solar, em termos térmicos como em termos de iluminação, reduzindo assim as necessidades energéticas da habitação.
ILUMINAÇÃO NATURAL
A luz natural é mais confortável para o olho humano comparativamente à luz artificial, sendo por isso vantajoso o seu aproveitamento sempre que possível. A luz artificial deve ser utilizada como complemento à utilização da luz natural.
Utilização de cores claras nas superfícies ajuda à reflexão da luz natural.
Utilização de cores claras nas superfícies ajuda à reflexão da luz natural.
sexta-feira, 3 de março de 2017
Arquitectura Bioclimática
Um edifício concebido de acordo com os princípios de Arquitectura Bioclimática é um edifício desenvolvido numa lógica de sustentabilidade, e em todas as suas fases (desde a fase de projecto, concepção, utilização e fim de uso). Está enquadrado num ciclo de vida, dá resposta às suas necessidades programáticas, está adaptado às características ambientais locais, é energeticamente eficiente, alcançando facilmente os níveis de conforto com um baixo consumo de energia. Deste modo, cada edifício possui assim uma identidade própria.
Os princípios de Arquitectura Bioclimática não são mais do que o enquadramento do edifício à sua realidade local – facilmente se depreende que não são, por estes motivos, princípios rígidos. São antes princípios flexíveis de modo a alcançar o equilíbrio pretendido entre os vários elementos a considerar em todo o processo.
A adaptação às características ambientais locais é fundamental, sendo o Sol um dos principais elementos a considerar uma vez que será a fonte de energia – quer em termos térmicos, quer em termos de iluminação – presente em todo o processo e que, com o seu devido aproveitamento, será a peça chave para alcançar o conforto interior com medidas passivas (sem consumo de energia). Conhecer o local para onde se vai projectar assume assim uma importância vital de modo a fazer as melhores opções.
O local onde o edifício se insere, bem como as suas características, são também factores determinantes para o seu desempenho energético e, consequentemente, para o conforto interior dos seus utilizadores. O clima, a orientação solar, vento, humidade, temperatura, radiação, altitude, as características do terreno, a sua topografia, a vegetação, os seus recursos, a existência ou não de edificações nas proximidades, entre outros factores, são contabilizados de modo a optimizar as soluções e tirar partido das suas potencialidades. Existem muitas variáveis ao longo de todo o processo.
A escolha do sistema construtivo deve considerar os elementos acima referidos de modo a dar uma resposta eficiente ao programa pretendido de forma adequada, com um bom desempenho ambiental e energético, onde as perdas e os ganhos se compensam.
Os materiais escolhidos devem ser criteriosamente seleccionados de modo a que sejam amigos do ambiente, com pouca energia incorporada.
Assim, é fundamental orientar convenientemente o edifício, fazer o seu isolamento de modo eficiente (preferencialmente pelo lado exterior e de modo contínuo) para atenuar as trocas térmicas entre interior e exterior. As superfícies envidraçadas devem ser correctamente dimensionadas (não só em relação à orientação solar – para fazer o aproveitamento dos ganhos térmicos – mas também de acordo com as necessidades de iluminação para cada divisão) e protegidas. A sua protecção pode ser feita com recurso a dispositivos móveis (por exemplo, portadas) ou dispositivos fixos (por exemplo, palas) desde que adequados para que o produto final resulte energeticamente eficiente e o conforto no seu interior seja alcançado.
Será também vantajoso desenvolver estratégias passivas para alcançar o conforto interior já que contribuirá para o bom desempenho energético do edifício. Estas estratégias/ sistemas passivos – sem consumo de energia – tiram partido das características climáticas. Vão desde o controle da radiação solar (facilitando os ganhos ou perdas térmicas), tirar partindo da inércia térmica do edifício (atraso e amortecimento) promovendo o isolamento térmico de toda a envolvente construída – paredes, pavimentos e coberturas – minimizando assim as trocas térmicas entre o ambiente interior e exterior, até à selecção de superfícies envidraçadas eficientes (apostando no vidro duplo e caixilhos com bom desempenho energético) e ao seu sombreamento adequado, como já se referiu.
Nem sempre os sistemas passivos conseguem dar resposta a todas as necessidades de energia. Se houver necessidade de recorrer a sistemas activos, estes deverão recorrer a fontes de energia renováveis.
A vegetação existente é também relevante. A existência de árvores de folha caduca é benéfica na medida em que, no Verão, a sua copa protege as superfícies envidraçadas da incidência directa da radiação solar e refresca o ambiente, e, no Inverno, com a queda das suas folhas permite a entrada dos raios solares, traduzindo-se em ganhos térmicos que contribuem para o conforto interior.
Uma habitação construída de acordo com estes princípios não é necessariamente mais dispendiosa: poderá inicialmente representar um investimento maior mas que será recuperado ao longo da sua vida útil. As suas necessidades de energia serão reduzidas e, uma vez que o conforto no seu interior será facilmente alcançado, a necessidade de recorrer a aparelhos de climatização (de que é exemplo o ar condicionado) será menor, poupando assim na factura energética mensal e contribuindo para que a quantidade de emissões de gases de efeito de estufa para o Ambiente seja menor.
Para que todo o sistema funcione, é importante que os utilizadores saibam tirar partido de todos os mecanismos existentes e os utilizem correctamente. O seu comportamento, os padrões de ocupação, a forma como o aquecimento/ arrefecimento dos espaços é feito, o aproveitamento da água, os mecanismos de ventilação, o tipo de iluminação, irão influenciar o desempenho energético do edifício e contribuir para o conforto higrotérmico.
Os aspectos que contribuem para a sensação de conforto são vários, e são também variáveis de pessoa para pessoa. Para o conforto higrotérmico e, de acordo com a legislação em vigor (o RCCTE – Regulamento das Características de Comportamento Térmico, Artigo 14.º do Decreto – Lei 80/2006), foram estabelecidos valores de referência a registar no interior dos edifícios de temperatura e humidade relativa de modo a garantir o conforto higrotérmico. Para a estação de aquecimento (período de Inverno) deve verificar-se uma temperatura de 20 °C e para a estação de arrefecimento (período de Verão), uma temperatura de 25 °C e 50% de humidade relativa. Deve ainda verificar-se uma taxa de renovação do ar de 0,6 renovações por hora para garantir a qualidade do ar interior. Para que estes valores se verifiquem, é importante não descuidar a qualidade da envolvente construída do edifício.
Parceiro:Quercus
segunda-feira, 20 de junho de 2016
Construção em Terra
A construção de paredes em taipa e adobe permite-nos, utilizando técnicas de construção locais, responder eficazmente a um clima de grandes amplitudes, criando espaços discretos mas de grande beleza, bem diferentes daqueles com que nos confrontamos frequentemente.
“Logo que pôde erguer a sua morada, o homem construiu em terra crua.”
Em Portugal, é essencialmente no Baixo Alentejo que a construção em terra tem maior expressão. A estrutura geológica, as características do solo, a herança cultural de povos com tradição em construções de terra, o clima seco e o ambiente essencialmente rural são factores fundamentais para potenciar o desenvolvimento da construção em terra.Ainda hoje, são inúmeros os montes com construções em taipa, muitos deles abandonados à espera de renovação.
A localização preferencial destas construções no sul relaciona-se com influências históricas, culturais, geográficas e climáticas. Em Portugal, o património de construção em terra é dos mais ricos da Europa. As técnicas utilizadas são variadas e adaptadas de acordo com os tipos de terreno existentes.
As técnicas de construção em terra subsistiram no Alentejo até cerca dos anos 50 e 60, altura em que surgiram os surtos migratórios e as primeiras importações de modernas técnicas e materiais de construção. Cabe-nos a nós continuar esta tradição.
A utilização destas técnicas foi decaindo mas felizmente está a ser renovada, sendo considerada, a nível mundial, uma resposta possível para a sustentabilidade na construção.
Pretendemos associar à taipa outros materiais que permitam responder a exigências de resistência sísmica – como o betão armado e a madeira – dando resposta a situações em que a utilização da terra não seja a escolha aconselhável.
A construção em terra, pedra e madeira permite cumprir um dos principais papéis que se impõe às construções actuais: a sustentabilidade dos materiais utilizados. Qualquer um destes materiais é reutilizável, não constituindo qualquer perigo, nem sobrecarga ambiental mesmo após a sua vida útil.
A construção tradicional em terra, como aliás toda a construção tradicional, assenta num conhecimento empírico. A aprendizagem sobre os materiais e suas características físicas era escasso, o que colocava dificuldades relativamente à opção de uma matéria prima relativamente estável e com as qualidades ideais para uma construção.
A falta de conhecimentos relativamente a aspectos de resistência estrutural e processos construtivos apropriados foi motivo para considerar a taipa uma técnica pobre, ineficaz e fraca.
Na actualidade, e para credibilizar a sua utilização, foi necessário aprofundar conhecimentos e racionalizar processos e técnicas construtivas, tornando-a atraente do ponto de vista económico e apelativa pelo curto prazo de execução da obra. Além disso, a longevidade da taipa e do adobe são muito superiores à construção tradicional de cimento ou tijolo.
Pretende-se associar à taipa outros materiais que permitam responder a exigências de resistência sísmica – como o betão e a madeira – dando resposta a situações em que a utilização da terra por si só seja inviável.
A conjugação com madeira e pedra permitirá criar estruturas resistentes, perfeitamente enquadradas na paisagem e compatíveis com as paredes de taipa.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016
Casa low cost e sustentável
Há dez anos, estudantes de arquitectura da Universidade de Auburn, no estado norte-americano do Alabama, desenharam uma casa low cost e sustentável para a comunidade pobre, uma iniciativa denominada 20K Project – 20K significa o custo das casas, 20.000 dólares, cerca de €18.000.
Agora, a universidade espera transformar este design numa experiência real de construção em massa, o que está previsto, numa primeira fase, numa parceria com a vila de Serenbe, em Chattahoochee Hills, no estado da Geórgia.
Segundo o Inhabitat, a parceria entre a universidade e a comunidade de Serenbe vai permitir aos actuais alunos a primeira oportunidade de trabalhar com um construtor profissional e desenvolver todas as fases do projecto, incluindo o zoneamento e verificar se todas as regras de construção são cumpridas.
Em contrapartida a comunidade de Serenbe vai receber dois estúdios de trabalho que serão utilizados pelo programa anual de recebimento de artistas, o Serenbe Art Farm.
O projecto 20K começou em 2005 como pesquisa para criar uma casa barata e com um design atraente que pudesse ser paga ou arrendada por cidadãos que vivessem na dependência da segurança social – ou seja, não pudesse contrair um empréstimo para comprar casa. Até agora, os estudantes desenharam e construíram 17 protótipos low-cost que incluem modelos de um ou dois quartos.
Com 51 metros quadrados, cada uma destas casas utilizam materiais avaliados em €12.000. “Um vez concluídos os testes de campo, o nosso grande objectivo é desenvolver uma série de documentos de construção com todas as especificações para construir uma casa igual na nossa região”, conclui a universidade.
sábado, 30 de janeiro de 2016
Construir uma eco casa em três dias
Depois de se decidirem pela construção de uma casa nova, os futuros proprietários têm de esperar meses e anos até poderem lá entrar e começar a gozar o espaço. No entanto, há cada vez mais empresas a construir estruturas modulares que demoram semanas e até dias a montar – e ainda hoje lhe trouxemos uma casa que se monta em nove dias e é totalmente reciclada e reutilizada.
Em Portugal, a arquitectura modular tem no Sistema Gomos um dos seus representantes – trata-se de um projecto de Investigação & Desenvolvimento empresarial que consiste num sistema único de construção modular e que cada módulo sai de fábrica completamente pronto, incluindo os acabamentos interiores e exteriores, caixilharias, instalações de água e electricidade e peças de mobiliário fixas.
Assim, e de acordo com o Inhabitat, o Sistema Gomos garante a construção de uma casa, num determinado local, em apenas três dias. O processo de construção tem quatro fases: produção dos módulos estruturais, revestimento e hardware, transporte e montangem – uma espécie de versão Ikea para as nossas casas.
Liderado pelo arquitecto Samuel Gonçalves, o projecto juntou 20 empresas na construção desta casa em Arouca – a primeira a utilizar o Sistema Gomos – e que pode ver na nossa galeria.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
Casas debaixo de água
Um arquiteto belga está a planear a construção de um complexo que vai permitir viver, trabalhar e relaxar debaixo de água. E todos os edifícios serão feitos com o lixo acumulado no mar. Ora veja.
A vida debaixo do mar pode deixar de ser exclusiva da imaginação da Disney e afims. O arquiteto belga Vincent Callebaut revelou que está a planear a construção de uma aldeia ecológica subaquática capaz de acolher até 20 mil pessoas.”Aequoera” é o nome do projeto que inclui várias células presas ao fundo do mar através de um pilar em espiral coberto com raízes de mangais.
O projeto, que ainda está em fase de desenvolvimento, deverá ser posto em prática no Rio de Janeiro (Brasil) e nas cinco principais zonas de correntes oceânicas. Cada uma das células terá 500 metros de comprimento e 1000 metros de profundidade, o que resultará em 250 andares para habitação, laboratórios, escritórios, espaços agrícolas, jardins de coral e lagos de purificação de água. Cada casa (serão 10 mil habitações) vai ter entre 25 e 250 metros quadrados de área.
Estas casas exigirão um investimento de 1950 euros por metro quadrado e deverão ser impressas em 3D com recurso ao lixo acumulado na Grande Porção de Lixo do Pacífico, também chamado de “sétimo continente” e que inclui partículas poluentes que formam uma massa com 680 mil quilómetros quadrados de área. Tudo isto é explicado numa extensa carta aberta escrita por Océane, uma hipotética habitante do projeto Aequoera em 2065.
Agora, Vincent Callebaut está a estudar que ameaça oferecem as correntes fortes, os terramotos e as tempestades para a estabilidade da aldeia que está a planear construir. Mas o arquiteto acredita que a forma espiral do edifício contraria os movimentos marítimos, compensando a energia aplicada na construção, explica a CNN.
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